Atingidos do Vale do Jequitinhonha fortalecem a incidência política internacional em Belém (PA) durante a COP30
- ABA Atingidos por Grandes Empreendimentos
- Nov 28, 2025
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Updated: 6 days ago
A Associação Brasileira dos Atingidos por Grandes Empreendimentos (ABA) participa de IV Encontro Internacional dos Atingidos por Barragens e Crise Climática e da Cúpula dos Povos, em Belém.
Em novembro de 2025 a COP30, a Conferência do Clima da ONU, reuniu pessoas de todo o mundo em Belém (PA). Antecedendo a COP30, aconteceu o IV Encontro Internacional dos Atingidos por Barragens e Crise Climática que reuniu cerca de 1.200 atingidos do Brasil e 350 delegadas e delegados de 65 países para debater e articular a internacionalização da luta dos atingidos por barragens, da soberania energética popular e da construção de um projeto alternativo ao sistema capitalista.
Outro importante espaço foi a Cúpula dos Povos, que integra a COP Popular, organizada pelos movimentos sociais em paralelo à COP 30, e nasceu como uma resposta direta do povo aos processos de negociação fechados.
Os espaços consolidaram articulações políticas internacionais em defesa dos direitos humanos e dos territórios e contra o modelo de desenvolvimento baseado na violação de direitos.
A Associação Brasileira dos Atingidos por Grandes Empreendimentos (ABA) esteve presente nas atividades e contou com o apoio do Fundo Brasil de Direitos Humanos (FBDH) para garantir a presença política dos atingidos nesses espaços estratégicos de incidência.
Atingidos do Vale do Jequitinhonha participaram levando ao debate internacional as denúncias sobre os impactos da mineração de lítio em Minas Gerais, no Vale do Jequitinhonha, e propostas para uma transição energética popular. Ao ocupar esses espaços, os atingidos reafirmaram que o Jequitinhonha é um território de povos, culturas e ancestralidades, e não apenas uma área de exploração mineral, como vem sendo propagado por discursos oficiais que colocam o lucro acima da vida.
Região é historicamente marcada pelo racismo socioambiental, antes estigmatizada como “Vale da Miséria” e atualmente rotulada como “Vale do Lítio”, mas as pessoas atingidas reafirmam que estão sendo zonas de sacrifício, pois o Jequitinhonha segue sendo alvo de um modelo minerário predatório que viola direitos, especialmente de povos e comunidades tradicionais (PCTs). Denunciaram que a chamada mineração de “lítio verde”, sustentada por práticas de greenwashing, é praticada pela empresa SIGMA LITHIUM que tem atingido a comunidade Piauí Poço Dantas no Município de Itinga com poeira mineral, ruídos permanentes de explosões, rejeitos a céu aberto e a inviabilização do plantio e da soberania alimentar e do córrego próximo à comunidade.
A participação no IV Encontro Internacional e na Cúpula dos Povos também se conecta ao projeto “Tradicionalidades e o Direito à Consulta Prévia Livre e Informada no Vale do Jequitinhonha/MG” em execução com financiamento do FBDH, que tem como objetivo fortalecer a organização política dos atingidos, a defesa dos direitos humanos e o enfrentamento ao racismo socioambiental. Atingidos do Vale do Jequitinhonha reafirmam que, antes da descoberta das reservas de lítio, já existiam vidas, povos e territórios, e que nenhum projeto de mineração pode se sobrepor ao direito à vida, à dignidade e ao futuro das comunidades.
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